12.12.07

gato no sofá II

A FRASE

“For the markets, rate cuts ae like a drug. They can inspire euphoria, but can also induce dependency. Markets, like addicts, need bigger and bigger doses to get the same effect”.
John Authers
Financial Times


E as crianças, senhor engenheiro?

Os directores das escolas vão ser escolhidos por concurso: essa é a boa nova de Sócrates aos portugueses. Trocando por miúdos, o primeiro-ministro faz como David Copperfield: ilude com um truque. Os problemas das escolas (falta de qualidade do eu é ensinado, ausência de poder dos professores) continuam. Muda a gestão: porque é apenas a questão dos números que aflige Sócrates. Os números para a EU, os números para não se gastar muito em cada escola. E, depois, fala-se na qualificação. O Governo descarta clpas, os pais passam-nas para os professores e estes ou estão calados ou vão para o quadro de adidos. E as crianças, senhor primeiro-ministro?

OTA e ALCOCHETE: NIM?

Segundo parece o relatório vo LNEC vai ter uma rsposta às questões do Governo: Nem sim, nem não – Nim? É a forma suave do LNEC dizer: “não me comprometa”. E deixar nas mãos do Ota-dependente Mário Lino e do ministro do Ambiente a guerrilha pelas suas damas, antes de Sócrates, e só ele, decidir obra do regime. A despropósito: depois disto, para que é eu vale a pena fazer a monstruosidade do TGV?

Mourinho e a Inglaterra

Mourinho gosta de Inglaterra. Mas ama muito mais a liberdade e o futuro. Liberto de Abramovich quer ir para Itália ou para Espanha. Afinal só tem 44 anos. Para fazer os ingleses jogarem 10 vezes por ano, basta-lhe um Fábio Capello. Como já dizia Arsène Wenger: o futebol de selecções pertence ao passado.

AS ELEIÇÕES

De um lado está Hillary Clinton. Do outro Barack Obama. Ambos querem ser os candidatos democratas para ocupar o trono da Casa Branca. Hillary conta com o apoio do escritor John Grisham. Obama com o mais mediático aplauso de Ophrah Winfrey. Na idade da imagem, esses apoios valem votos. Mas as contas podem ser outras: se Hillary ganhar haverá um presidente da família Clinton durante uma série de anos. Como de resto sucedeu com a dinastia Bush. Todos diferentes, todos iguais?

Azeite é vida

O azeite é um daqueles produtos que tem a ver com a nossa cultura. Embora, muitas vezes, o desprezemos. Em Malta ou Itália, quando se vai a um restaurante, lá está ele na mesa, num pratinho, para se molhar com um belo pão. Aqui não. Surge vagamente, e muitas vezes de má qualidade, nas sopas ou pratos. Agora o bom azeite foi afastado dos restaurantes, presos às garrafinhas higiénicas que o Estado impõe para salvaguardar a nossa saúde. O que vale é que, agora que o bacalhau regressa aos nossos pratos, a Gallo surge com umas belas garrafas de azeite Novo da colheita de 2007-2008. É delicioso e deve-se utilizar generosamente.

Os azares da ASAE

A ASAE, dizem, está a defender como Batman, os consumidores portugueses das tentações que o Joker nos quer impor: bolas de Berlim, ginja, pastéis de massa tenra, migas feitas com pão de vários dias (as únicas que são saborosas). Tudo nos pode fazer mal. Portugal está assim a deixar de ter os seus prazeres e tentações. Mas a gloriosa ASAE não vai aos templos do fast-food. Que tal irem, por exemplo, às Amoreiras onde os hambúrgueres e as batatas fritas são verdadeiras misturas de sal com algo à volta? Isso a ASAE não vê. Porque seria meter-se com as multinacionais liofilizadas. Tudo em nome da lei e da domesticação da nossa liberdade. Se fosse em Espanha, a ASAE bem podia ir fazer investigações às tapas e os museus del jámon…

Livro bem disposto

Maria João Matins traz-nos uma deliciosa obra de ficção: “Escola de Validos” (edição Teorema), um romance que recupera um período crítico da nossa história – o da restauração. Na corte portuguesa todos se movem para ter um pedaço de poder e isso é retratado, fielmente e friamente, pela autora, que não rsiste a citar António Vieira: “não me temo de Castela, temo-me desta canalha”. É uma grande lição de história, mas também de qualidade de escrita. Um bom livro para ler nos alvores do novo ano.

BD total

Ando a refazer a minha colecção das aventuras de Steve Canyon, o militar norte-americano, que foi criado por Milton Caniff. Para lá da ideologia, é uma das BD mais carismáticas de que há memória (Hugo Pratt sabia onde ia beber Corto Maltese). Posso assim deixar de continuar a armzenar velhas Mundo de Aventuras que custam uma fortuna nos alfarrabistas. E estes livos são com as iras originais…

DVD

Comprei a versão remasterizada de “Blade Runner”, o filme de Ridley Scott baseado no livro de Philip K. Dick. É um prazer olhar para o mundo do futuro e sentirmos que estamos a caminhar para lá, mesmo não colocando “replicants”, porque já temos humanos demasiados para o trabalho existente. Onde está Malthus?

1 comentário:

PRS disse...

A Asae decidiu legislar também sobre os sacos de venda das castanhas: a partir de agora a dúzia ou a meia dúzia já não podem ser vendidas embrulhadas em jornal ou em folhas das páginas amarelas; é pouco higiénico:

http://opoderdegrayskull.blogspot.com/2007/12/j-no-era-sem-tempo.html